Eu não sabia que estava criando um blog.
Em 2006, sentado no segundo andar do número 91 do canal Singel, em Amsterdã, eu estava apenas tentando entender o que tinha feito da minha vida.
Tinha largado um emprego no marketing da VIVO em São Paulo, estressante, acelerado, o tipo de vida que a gente acha que quer até perceber que não quer mais. Tinha cruzado o Atlântico para apoiar minha esposa em uma mudança de carreira. Hoje isso parece uma história bonita de casal. Em 2006, para um homem brasileiro deixar o emprego para seguir a parceira para a Europa, as perguntas eram muitas e os elogios, poucos.
Então eu fazia o que eu tinha acabado de aprender a amar: fotografava.
Fotografava a névoa da manhã no canal. Os reflexos da bicicleta na água. A luz na bandeira laranja que deu nome ao blog, a cor oficial da Holanda, que virou a cor do que eu estava construindo sem saber que estava construindo.

As fotos ganharam legendas. As legendas viraram dicas. As dicas viraram matérias na Folha de S.Paulo, na Viaje Mais e em outras revistas.

E o diário de um homem tentando achar o seu lugar no mundo virou referência para quem queria conhecer a Holanda e a Europa.
Em 2008, voltamos para São Paulo.
E eu me fiz a mesma pergunta que você provavelmente faria: e agora?
O blog tinha uma identidade. Tinha uma audiência. Tinha nascido em uma janela específica, em uma cidade específica, num momento específico da minha vida.
O que acontece quando esse momento acaba?
A resposta chegou da forma mais inesperada.
Descobri que ia ser pai.
Quando a Vitória nasceu, uma coisa ficou clara para mim antes mesmo de ela completar um ano: não ia parar de viajar porque tinha uma filha. Ia viajar por causa dela. Com ela. Para ela.
Comecei a filmar. Comecei a mostrar o que ninguém mostrava na época: como é ser um pai que viaja com uma criança pequena de verdade. Os desafios, os imprevistos, os momentos em que você olha para o lado e vê uma coisinha de dois anos dormindo no seu ombro dentro de um avião, e pensa que não trocaria isso por nada.
O perrengue de ter que levá-la ao banheiro masculino em diversos lugares, além de outras dificuldades. Muita coisa virou notícia, como um manifesto que eu fiz pedindo fraldários em banheiros masculinos, antes mesmo de super-stars fazerem algo parecido.
Em 2012, a Giovana nasceu. E aí eram duas Laranjinhas.
Participei de feiras internacionais, como a IPW, nos Estados Unidos, e o Rendez-Vous, no Canadá. Recebemos convites para viagens pelo Brasil e pelo mundo. Conhecemos dezenas de hotéis e resorts. Viajamos para Nova York e Toronto, de volta para Amsterdã, agora com duas filhas, fechando um ciclo sem querer.
As Laranjinhas.
Esse apelido, que nasceu carinhoso, virou um programa de televisão. Três temporadas no Canal Travel Box Brazil, que alcançava 14 milhões de lares. Séries gravadas nos Estados Unidos, Nova York, Orlando, Miami, Los Angeles, Colorado, Park City. No Chile. No Brasil inteiro, de resort em resort, de praia em praia, mostrando que viajar em família não é um sacrifício: é um presente.

As meninas cresceram sabendo o que é um bom hotel. Sabendo olhar pela janela do avião com curiosidade, não com medo. Sabendo que o mundo é maior do que qualquer escola consegue ensinar.
Foram mais de 3 mil posts publicados. Quase 50 mil seguidores no Instagram. Mais de 3 milhões de visualizações nos vídeos do YouTube. Fui jurado de prêmios da Revista Viagem e Turismo. E milhares de viajantes, famílias, casais, aventureiros solitários, viajaram com as dicas daqui.
Mas nenhum número conta a história toda.
Em agosto de 2021, mudamos para a Suíça.
Mais uma vez, a vida me colocou do outro lado do Atlântico. Mais uma vez, uma janela nova. Desta vez, em Genebra, perto do Lago Léman, de cara para os Alpes, para um país que parece ter sido desenhado para quem acredita que beleza e eficiência podem coexistir.

Levei um tempo para me adaptar. Aprendi francês. Tornei-me consultor especializado na Suíça e na França, trabalhando com agências de viagem e operadoras brasileiras que buscam oferecer a melhor versão desses destinos aos seus clientes.
E voltei a postar. Com mais experiência. Com mais profundidade. Com o olhar de quem não está de passagem, está aqui, conhece os caminhos, sabe o que os guias não contam.
Vinte anos.
Vinte anos desde aquela janela no canal Singel. Vinte anos de muitas fotos, de inúmeras viagens, de dicas, de viagens em família, de programas de TV, de feiras internacionais, de uma pandemia que parou o mundo, de uma mudança que abriu uma nova fase.


O blog que você está lendo agora foi completamente renovado para celebrar isso. Nova cara, mesma alma.
E a alma sempre foi esta: mostrar que viajar transforma. Que uma foto tirada de uma janela pode mudar o rumo de uma vida. Que um blog criado sem pretensão pode ajudar milhares de pessoas a viajar melhor, a descobrir o mundo e, no processo, descobrir algo sobre si mesmas também.
Viajar, para mim, é isso. Não é escapar. É chegar. A lugares, a pessoas, a versões de você mesmo que só existem quando você está longe do óbvio.
O que vem por aí?
Em 2026, vamos celebrar esses 20 anos o ano inteiro.
Muitos posts especiais sobre a Suíça, um país que aprendi a amar de dentro para fora, que conheço como poucos brasileiros conhecem, e que quero te mostrar muito além das fotos bonitas do Instagram.
Roteiros reais. Hotéis que valem cada franco. Experiências que não aparecem nos guias. A logística que ninguém explica. E os lugares que só quem mora aqui sabe que existem.
Cada post vai ser uma janela aberta.
Exatamente como foi em 2006.
Bem-vindo aos 20 anos do A Janela Laranja. Fico feliz que você esteja aqui.











